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Como a Positivo quer fazer de sua área de educação um unicórnio

Pioneira em ofertas educacionais, a Positivo perdeu espaço nos últimos anos. Agora, a empresa volta a apostar nessa área através de investimentos em startups com seu braço de corporate venture e com parcerias com empresas de Israel. Conheça as iniciativas

 

Hélio Rotenberg, presidente da Positivo

Fundada em 1989, a partir do grupo de ensino homônimo, a fabricante de computadores Positivo foi uma das pioneiras na oferta de tecnologias para educação no Brasil. O fato de ser uma das primeiras dessa classe não impediu que o negócio perdesse espaço nos últimos anos.

Mas, agora, diante de uma pandemia que colocou à prova o conceito de educação online, a Positivo está se movimentando com uma série de iniciativas que incluem investimentos em edtechs através de seu corporate venture a parcerias com startups, para fazer de sua divisão de tecnologia educacional um unicórnio, como são chamadas as empresas que valem mais de US$ 1 bilhão.

“Esse negócio foi colocado à prova e demoramos para achar seu novo espaço”, diz Hélio Rotenberg, presidente da Positivo. “Hoje, ele é uma startup praticamente independente, que já reencontrou seu roteiro de crescimento.”

A operação, a única da Positivo a incorporar softwares em sua oferta, apurou uma receita de R$ 47,5 milhões em 2019. A cifra ainda é incipiente diante do R$ 1,91 bilhão do grupo no período. “Nosso plano é fazer dessa área de educação na Positivo um unicórnio”, diz Álvaro Cruz, vice-presidente e principal executivo da divisão de Tecnologia Educacional

Uma das apostas para mudar essa realidade é o braço de corporate venture da companhia, estruturado há três anos e que até pouco tempo não tinha startups de educação entre suas prioridades.

Hoje, o veículo tem oito startups investidas no portfólio. Entre elas, a healthtech Hi Technologies, a agtech Agrosmart e a Rina, de mobilidade urbana. Assim como boa parte desses casos, os aportes envolverão fatias minoritárias das operações.

“Sempre tivemos dúvidas sobre o timing de adesão tecnológica na área de educação, mas a Covid-19 definitivamente acelerou esse processo”, diz Graciete de Lima, responsável pelo programa. “Em março, nós intensificamos o mapeamento de edtechs. Hoje, essa é uma das nossas áreas mais quentes.”

Esse trabalho promete render frutos em breve. “Dos quatro acordos que planejamos anunciar até o início de 2021, dois devem ser em educação”, diz Graciete sobre os aportes, que, seguindo a tese do programa, envolverão fatias minoritárias. O tamanho dos cheques não é revelado.

No radar estão uma plataforma de ensino digital e uma startup de Maker, conceito que relaciona o aprendizado ao “faça você mesmo”, por meio do estímulo à construção e criação dos mais variados objetos e projetos. Inteligência artificial e robótica são outras áreas no escopo de futuros investimentos.

Em outra trilha, a Positivo fechou, em 2019, um acordo com o MindCET, centro israelense de inovação especializado em startups de educação. Na prática, a empresa passou a ter acesso a projetos e à rede global de edtechs da parceira.

Graciete de Lima, responsável pelo programa de Corporate Venture da Positivo

Nesse intercâmbio, a empresa já selecionou duas edtechs para investir. Uma é o aplicativo de jornada de aprendizagem Mindy. A outra, em estágio inicial e ainda não batizada, tem uma solução de comandos de voz, que está sendo integrada à Mesa Educacional, plataforma de alfabetização do grupo.

Mas essas não são as únicas iniciativas da Positivo. A companhia quer aproveitar o seu bom relacionamento com o setor público para impulsionar as ofertas às escolas. A empresa tem uma base de 14 mil escolas atendidas, em 42 países, que abrigam 35 milhões de alunos no País.

A estratégia para mapear e se aproximar desse ecossistema passa por frentes como o Hub Educacional. A plataforma gratuita, operada pela Positivo, permite que escolas, secretarias de ensino, professores e gestores centralizem o acesso, com um único login e senha, a aplicações de diferentes fornecedores.

A ferramenta traz ainda relatórios que ajudam a aprimorar métodos de aprendizagem. Os dados compartilhados seguem as premissas da Lei Geral de Proteção de Dados. Para os fornecedores, a plataforma é um atalho para plugar diferentes usuários, com um único padrão, já adaptado à LGPD.

A Covid-19 abre também oportunidades para o portfólio da divisão de tecnologia educacional, como a Schood, pulseira inteligente que traz novos recursos para a retomada das aulas presenciais. Entre eles, aferição de temperatura e monitoramento de aglomeração.

Outra solução é o Aprimora, software de ensino a distância para o ensino de Matemática e Língua Portuguesa. Com recursos de inteligência artificial, ele permite traçar jornadas personalizadas para cada aluno. A ferramenta está no centro de um dos contratos mais recentes da divisão. Por meio de um projeto patrocinado pela Fundação Lemann, ela será fornecida a alunos de 229 escolas públicas.

Em um cenário no qual a demanda por tecnologia deve ganhar força, a Positivo encontrará duas rivais brasileiras, em particular: a Vasta Educação, da Cogna, e a Arco Educação. Além do apetite pelo setor, um traço une a dupla.

Há dois anos, a Arco captou R$ 780 milhões com seu IPO na Bolsa de Nova York. E, na semana passada, anunciou que fará um follow on que pode movimentar US$ 112 milhões. Já a Vasta levantou cerca de R$ 2 bilhões no início de agosto com a sua abertura de capital na Nasdaq.

“As duas estão muito capitalizadas e também estão buscando aproximação com startups e aquisições”, diz Carlos Monteiro, sócio da CM Consultoria. Ele ressalta que a Vasta, por meio da holding Cogna, foi uma das pioneiras a dialogar com esse ecossistema. Mas entende que a Positivo não está atrás nessa corrida. “Além das raízes nesse mercado, eles têm um histórico de inovação no setor.”

Esse jogo de aquisições envolveu um ativo do próprio Grupo Positivo. Em maio de 2019, a Arco Educação pagou R$ 1,65 bilhão pelo sistema de ensino da empresa-mãe da Positivo Tecnologia.

Para Ivair Rodrigues, sócio da consultoria IT Data, outro fator alimenta essa correção de rota da empresa na educação. “A Positivo entendeu que é difícil ganhar dinheiro só com hardware, ainda mais com preço de entrada”, diz. “O mapa do lucro está na inteligência, no software e em setores como a educação digital.”

Essa não é a única iniciativa da Positivo para reduzir sua dependência de computadores. A companhia investiu em celulares e também criou uma linha de produtos voltados para a casa inteligente, que inclui sistemas de segurança, lâmpadas LEDs com Wi-Fi e sensores para abertura e fechamento de portas e janelas. Na pandemia, no entanto, foram os notebooks que salvaram a empresa, por conta da alta demanda por trabalho em casa e pela educação online.

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