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Contabilizei capta novo aporte liderado pelo Softbank

A startup de serviços de contabilidade online está anunciando uma rodada liderada pelo fundo japonês. Com o investimento, a companhia vai encorpar a recém-lançada oferta de serviços financeiros, e planeja duplicar sua base atual de 30 mil clientes no fim de 2021

 

Vitor Torres, cofundador e CEO da Contabilizei

A Contabilizei acaba de receber um aporte, de valor não revelado, do Softbank. Fundada em 2013, a plataforma de serviços online de contabilidade já havia captado mais de R$ 100 milhões junto a fundos como Kaszek, IFC, Quona Capital e Point72 Ventures, que também participam dessa nova rodada.

A aproximação entre a Contabilizei e o Softbank foi antecipada pelo NeoFeed, em novembro do ano passado. Na época, Vitor Torres, cofundador e CEO da startup, não confirmou, nem negou a informação. Já o fundo japonês não teceu comentários.

“Não estávamos buscando ativamente um aporte, mas a resposta que demos na pandemia despertou o interesse de fundos, entre eles, o Softbank”, afirma agora Torres ao NeoFeed. “O ano de 2020 foi muito positivo. Batemos a marca de 30 mil clientes, crescemos o time em 50% e mostramos que nosso negócio é resiliente.”

A Contabilizei alcançou essa escala com uma plataforma voltada a micro e pequenos empresários, no modelo de software como serviço. A startup oferece recursos como a emissão online de notas fiscais e guia de impostos, além da abertura de empresa. Os pacotes estão disponíveis com mensalidades a partir de R$ 89.

“O Softbank estuda bem cada indústria para investir na empresa que entende que irá consolidar a transformação naquele setor”, diz Torres. “Eles olharam todo o mercado e nos escolheram. E, desde as primeiras conversas já trouxeram novas perspectivas sobre o que poderíamos pensar diferente.”

Com a ajuda do Softbank, o plano inicial é dar velocidade a uma estratégia já em curso na companhia: a entrada no segmento financeiro, cujo primeiro passo oficial veio em 2020, com a oferta de uma conta corrente online integrada, de forma gratuita, à plataforma, em parceria com o banco BS2.

“Mais de 80% dos novos clientes estão optando por abrir a conta ao aderir a plataforma e estão usando a conta no dia a dia para receber e fazer pagamentos”, conta Torres. “Isso mostra que esse empresário quer estender o relacionamento conosco.”

O próximo capítulo dentro dessa lógica já está sendo escrito. Desde o fim de 2020, a Contabilizei vem testando um modelo de assessoria financeira com um pequeno grupo de clientes. A startup assume uma série de rotinas dessas empresas, além de automatizar parte desses processos.

O formato envolve rotinas operacionais como contas a pagar e a receber, transferências para contas pessoa física de sócios e gestão do fluxo de caixa. E passa também por questões como a educação financeira desses clientes.

“A ideia é que esse empresário deixe essas rotinas conosco, como se contratasse um departamento financeiro, e tenha mais tempo para dedicar aos seus clientes”, explica Torres. “E o aporte vem fundamentalmente para expandir esses serviços.”

A Contabilizei está montando uma equipe 100% dedicada a essa oferta, que já conta com cerca de 40 pessoas. A ampliação do time em todas as áreas é outro destino do aporte. A empresa tem hoje mais de 500 funcionários, está com 70 vagas abertas e planeja fechar 2021 com um quadro de 700 profissionais.

O modelo de contratação da assessoria financeira seguirá os moldes do portfólio principal da startup. Batizado de Expert, o plano terá mensalidades, a princípio, na faixa de R$ 349 a R$ 589, com níveis diferentes de prestação do serviço. Torres acredita que, além de ampliar a presença na base atual de clientes, a nova linha pode ser uma porta de entrada de novas empresas na plataforma da companhia.

No curto prazo, ele descarta ampliar a oferta com produtos financeiros, como crédito. A visão é amadurecer o pacote de serviços antes de partir para esse caminho. Quando isso acontecer, a empresa buscará parcerias. “Esse é o melhor modelo, com cada parceiro entregando o que sabe fazer melhor.”

Piloto automático

A rodada também reservará recursos exatamente para o negócio principal da Contabilizei. A empresa está testando uma linha batizada, provisoriamente, de Piloto Automático. O projeto teve início no último trimestre de 2019 e abrange, nesse primeiro momento, cerca de 500 clientes.

Depois de digitalizar boa parte dos processos contábeis das empresas, a startup quer, com o novo produto, automatizar muitas dessas rotinas, como pagamento de impostos. A estratégia se conecta com a orientação de facilitar a vida desses usuários, embutida na assessoria financeira.

Para destacar o tamanho potencial desse mercado, Torres cita alguns números. “Existem cerca de 20 milhões de CNPJs no Brasil. Desses, 98% são micro e pequenas empresas. Esse é o nosso alvo”, afirma. Em outra ponta, ele destaca que o País tem 70 mil escritórios de contabilidade, com uma média de 80 a 100 clientes.

“O fato de termos alcançado 30 mil empresas mostra o quão disruptivo é o que estamos fazendo”, ressalta. “Para esse ano, queremos duplicar essa base e o nosso faturamento”, acrescenta Torres, sem, no entanto, revelar a receita da startup.

Assim como não confirma, ele tampouco nega se, com a nova rodada, a empresa é o mais novo unicórnio do País. “Se viramos ou não, não muda nada. Somos pragmáticos. O que importa é seguir construindo um negócio sólido”, afirma.

Para Bruno Diniz, cofundador da consultoria Spiralem, a entrada no mundo financeiro é um passo bem promissor para que a empresa cumpra esse percurso. “Eles já estão com muitos desses empresários desde o dia zero”, diz. “E blindam esse cliente com essas ofertas adicionais, impedindo que ele busque soluções fora, à medida que cresce a sua operação.”

Ele entende que a empresa está avançando em rotinas tipicamente tratadas por empresas de sistemas de gestão (ERP) que, por sua vez, também começam a ocupar o espaço das ofertas financeiras. São os casos, por exemplo, da Totvs e da Linx.

A primeira montou uma divisão voltada a esse segmento e desembolsou R$ 452 milhões, em 2019, para comprar a Supplier e acelerar a estruturação desse braço. Já a segunda também tem uma unidade destinada ao setor e foi adquirida, em novembro, pela Stone, por R$ 6,7 bilhões.

“Entretanto, muitos desses ERPs não vão conseguir atender ou levarão muito tempo para ter a camada contábil que a Contabilizei já oferece”, observa. “É uma estratégia sem paralelos e que pode ser muito vencedora.”

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