Fala muito, vale muito! Em 13 meses de vida, o app Clubhouse já pode bater em US$ 4 bilhões

Dois meses após captar US$ 100 milhões e ser avaliada em US$ 1 bilhão, a rede social que permite apenas interação por voz já se prepara para uma nova rodada e quer consolidar sua presença em meio às cópias que os gigantes da tecnologia já estão desenvolvendo

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Atualmente, a rede social conta com 10 milhões de usuários

Com pouco mais de um ano de vida, a rede social Clubhouse, criada em março de 2020, se tornou um dos maiores fenômenos dos últimos tempos. E, agora, o aplicativo discute abrir uma nova rodada de captação que pode fazer com que seu valor de mercado atinja US$ 4 bilhões.

O valor é quatro vezes maior que a avaliação do app feita em janeiro deste ano, quando recebeu um aporte de US$ 100 milhões liderado pela gestora de venture capital Andreessen Horowitz. A rede social já havia recebido US$ 10 milhões da gestora, em maio do ano passado.

Os detalhes dessa próxima rodada não foram divulgados, mas, de acordo com a agência de notícias Bloomberg, está próxima de acontecer. O Clubhouse não se pronunciou sobre o assunto. O crescimento da rede, entretanto, é exponencial e pede mais capital para suportar o avanço e conter os concorrentes.

Em janeiro, quando a Andreessen Horowitz liderou o aporte de US$ 100 milhões, o Clubhouse tinha cerca de 2 milhões de usuários. Pouco depois, em março, o aplicativo criado pelo engenheiro industrial Paul Davison e pelo cientista de computação Rohan Seth já contava com 10 milhões de usuários.

Por enquanto, ele está disponível apenas para iOS, mas uma versão para Android será lançada em breve. Seu formato de conteúdo efêmero, em que a interação acontece apenas por voz, como uma rádio ao vivo, despertou o interesse de alguns dos maiores nomes do Vale do Silício.

O próprio Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, já participou de um bate-papo no app. Elon Musk, fundador da Tesla, também conversou com o CEO do app de investimentos Robinhood, Vlad Tenev, no Clubhouse. No Brasil, também virou uma febre com vários influencers e executivos dando seus “minutos de sabedoria” na rede.

Esse interesse frenético pelo aplicativo fez com que outros gigantes da tecnologia corressem para lançar suas próprias versões da ferramenta. O Twitter já lançou o Spaces. O LinkedIn também anunciou que vai lançar salas exclusivas para conversas de voz, e o Facebook, conhecido por copiar as empresas que não consegue comprar, está desenvolvendo sua própria plataforma de voz.

Por enquanto, o aplicativo não permite a monetização com anúncios publicitários de marcas. Mas, na segunda-feira, 5 de abril, o Clubhouse anunciou o lançamento da ferramenta Payments, voltada para monetização de criadores de conteúdo.

Ainda em fase de testes, o serviço possibilita que usuários enviem qualquer quantia diretamente para seus criadores favoritos, e o app vai cobrar apenas uma taxa de processamento, direcionada para a operadora da transação, a Stripe.

Em março, o Clubhouse anunciou ainda o programa Creator First, uma aceleradora para criadores de conteúdo. Os selecionados receberão o equipamento necessário, de smartphones a microfones, além de treinamento e conexões com marcas para monetização do conteúdo. Os primeiros escolhidos devem ser anunciados em breve.

A rede social se propõe a ser focada principalmente nesses criadores de conteúdo, o que explica o interesse de tantos nomes importantes. Mas ela não está livre de controvérsias.

Uma delas está relacionada à venda de convites, necessários para o acesso à rede social. Afinal, ela ainda não é aberta para todos – o que gera um burburinho de muita gente querendo entrar. Já existe um mercado paralelo para esses convites, que podem ser encontrados por valores entre US$ 20 e US$ 300.

Há ainda uma preocupação com a moderação do tipo de conteúdo que pode ser veiculado na plataforma. O Clubhouse já afirmou que não tolera nenhum discurso de ódio, mas grupos homofóbicos, xenófobos e misóginos já usam o serviço de áudio para disseminar seus preconceitos.

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