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Fora das telas, Ashton Kutcher quer ser protagonista nos investimentos de impacto

À frente dos fundos A-Grade Investments e Sound Ventures, o ator americano já investiu mais de US$ 3 bilhões em startups. Agora, com a Covid-19 e os protestos contra o racismo nos EUA, ele quer reforçar sua atuação em projetos de inclusão financeira, acesso à educação, direitos humanos e saúde

 

O ator e investidor Ashton Kutcher

Em 22 anos de carreira no cinema e na tevê, o ator americano Ashton Kutcher já marcou presença em 33 séries e filmes, entre eles “Jobs”, de 2013, no qual interpretou o fundador e ex-CEO da Apple, Steve Jobs.

Longe dos sets de filmagem, o ator americano também ganhou fama em outra cena: o mundo do capital de risco.

À frente dos fundos A-Grade Investments e Sound Ventures, Kutcher já destinou mais de US$ 3 bilhões em 177 rodadas, que incluíram aportes em empresas como Uber, Airbnb, Spotify e Robinhood.

Agora, Kutcher parece disposto a reforçar esse papel como um dos protagonistas dos investimentos de impacto social. Esse script foi fortalecido a partir da combinação da Covid-19 com os protestos nos Estados Unidos.

“Uma das coisas que mais me motiva no capital de risco é descobrir empresas que resolvam problemas em uma escala maior”, disse Kutcher, em painel virtual do Brazil At Silicon Valley. “E o que está acontecendo agora me dá ainda mais urgência de fazer algo para ajudar.”

Sob essa ótica, o ator falou que movimentos desse porte são uma das referências para os fundos que ele mantém com o sócio Guy Oseary.

“Nós prestamos atenção no que está sendo dito e construído”, afirmou Kutcher. “E vamos atrás de empresas disruptivas que abordam esses temas e que podem ter efeitos em rede.”

A partir dessa visão, Kutcher destacou inclusão financeira, acesso à educação, direitos humanos e saúde como alguns dos temas em foco desses investimentos. E citou algumas das startups que já fazem parte do seu portfólio que tratam, ainda em menor escala, desses assuntos.

Os exemplos passam pela Acorn, aplicativo que ajuda as pessoas a pouparem dinheiro por meio da economia de pequenas somas; a Lambda School, que oferece capacitação gratuita para programadores por meio de educação a distância; a ResearchGate, rede social voltada à comunidade científica; a Change.org, plataforma de campanhas de cunho social e de petições online; e a Modern Fertility, de benefícios acessíveis para a saúde feminina.

Outros projetos

Com maior fôlego e há mais tempo na estrada, outra iniciativa do ator é a Thorn.org, plataforma sem fins lucrativos que desenvolve ferramentas de monitoramento e combate à pornografia infantil e ao tráfico e exploração sexual de crianças.

O projeto foi criado em 2012, em parceria com a atriz Demi Moore, mulher de Kutcher na época. Suas soluções já são usadas por mais de 8 mil policiais nos Estados Unidos e no Canadá, além de outras forças de segurança em 38 países ao redor do mundo. Em 2018, por exemplo, a Thorn.org ajudou a identificar e a resgatar mais de 8 mil crianças vítimas de tráfico sexual.

“Nosso objetivo é eliminar a pornografia infantil da internet em sete anos”

“Temos ferramentas com algoritmos de inteligência artificial que conseguem rastrear imagens de pornografia infantil e reportar para autoridades”, disse Kutcher, ressaltando que o projeto foi motivado pela identificação de que 75% dos casos de tráfico nessa esfera envolvem negociações online. “Nosso objetivo é eliminar esse tipo de conteúdo da internet em sete anos.”

Kutcher também desenvolve iniciativas com sua atual mulher, a também atriz Mila Kunis. O projeto mais recente teve como motivação a Covid-19. Em meados de abril, o casal lançou uma marca própria de vinho, batizada de Quarentine Wine. E anunciou que 100% dos lucros obtidos seriam destinados a instituições que estão combatendo a pandemia.

“Fizemos posts nos meus perfis nas redes sociais e vendemos duas mil caixas em apenas oito horas”, contou Kutcher. “E, no total, foram 10 mil caixas e US$ 1,5 milhão arrecadados para a compra de equipamentos de proteção individual e outros fins.”

Além dessas iniciativas, Kutcher discorreu sobre como as questões de sustentabilidade, reunidas sob a sigla ESG, terão cada vez mais peso no campo dos investimentos.

“Todos os negócios passarão a ter isso em mente e quem não focar esses temas, não estará criando algo para o futuro”, afirmou. “Tenho uma ideia muito clara de como deve ser esse futuro. E quero participar, financiando ou executando, dessa construção.”

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