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Negócios

Na guerra do streaming, ninguém tira a Netflix para “dançar”

Serviços como Disney+, Apple TV+ e HBO Max fecham parcerias para oferecer seus serviços de streamings gratuitos aos consumidores em mais um lance de uma batalha que vai pegar fogo a partir de novembro

 

Poucas empresas navegaram num oceano azul como a Netflix. Durante muito tempo, a companhia ficou praticamente sozinha, sem concorrentes de peso que pudessem ameaçá-la.

E assim, sem ser incomodado, o serviço de streaming de filmes fundado por Reed Hastings, que surgiu como um serviço de entregas de DVDs pelos Correios, conseguiu conquistar 158 milhões de clientes ao redor do mundo.

No fim de junho deste ano, o NeoFeed publicou uma análise exclusiva que mostrava que os papéis da Netflix eram os que mais tinham se valorizado nos últimos 10 anos.

As ações subiram incríveis 6.180,41%, segundo análise da Economatica. Mais do que Amazon, Google, Microsoft ou qualquer outra companhia que faz parte do Russell 1000, índice que reúne as maiores empresas americanas.

Já se sabia que a concorrência da Netflix ia ficar muito mais acirrada a partir de novembro deste ano, com a chegada de serviços como o Disney+ e o Apple TV+.

Mas os rivais da Netflix estão sinalizando que vão ser mais agressivos do que se imaginava em suas ofertas iniciais. “Num mercado que vai ficar sangrento, o preço vai ser um fator de diferenciação”, diz André Miceli, coordenador do MBA de marketing e negócios digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Disney+, Apple TV+ e HBO Max vão chegar ao mercado americano com um amplo leque de parcerias e promoções. A Verizon, a maior operadora de telefonia dos Estados Unidos, vai oferecer o serviço da Disney gratuito por um ano para os clientes que usam seus planos ilimitados.

A Apple também não ficará atrás. A companhia da maçã está fazendo uma oferta de um ano gratuito do Apple TV+ para quem comprar um novo iPhone, Mac ou iPad.

A AT&T anunciou que o serviço de streaming HBO Max, que vai estrear em abril de 2020, será gratuito para os assinantes que já pagam o serviço da HBO no pacote de tevê por assinatura.

A operadora T-Mobile também divulgou uma parceria com a Quibi, um serviço de streaming para celulares criado por Jeffrey Katzenberg, ex-presidente da Disney Studios e fundador da Dreamworks, que já levantou US$ 1 bilhão de 11 investidores, como The Walt Disney Company, NBCUniversal, Sony Pictures, WarnerMedia, Liberty Global e Alibaba Group.

O Quibi está previsto para estrear em abril de 2020. Não foram fornecidos detalhes da parceria com a T-Mobile. Mas, no mercado, especula-se que ele deve seguir a linha de Verizon e AT&T e oferecer uma oferta grátis para um grupo de usuários que usam os serviços da operadora.

Não bastasse isso, os serviços de Apple e Disney são mais baratos que os da Netflix. Nos Estados Unidos, eles vão custar US$ 4,99 e US$ 6,99 por mês, respectivamente. O plano mais barato da empresa de Reed Hastings é US$ 13 mensais no mercado americano.

Neste ano, as ações da Netflix caíram 10%. Desde o pico do papel, em junho de 2018, elas se desvalorizaram 28%

Até agora, ninguém tirou a Netflix para “dançar”. E a companhia corre o risco de ficar sozinha, sem nenhum par na guerra do streaming, que a ajude a turbinar a sua oferta.

O aumento da competição já se refletiu no preço das ações da companhia. Neste ano, elas caíram 10%. Desde o pico do papel, em junho de 2018, elas se desvalorizaram 28%.

No primeiro semestre de 2018, a Netflix chegou a valer mais que a Disney. Na época, a revista britânica The Economist fez uma capa com a empresa com o título “A gigante de tecnologia que todos estão assistindo”.

Hoje, a situação se inverteu. A companhia com sede em Los Gatos, na Califórnia, vale US$ 123,5 bilhões. A Disney está avaliada em US$ 235 bilhões. “A Netflix vai viver tempos confusos e ela está com um nível de endividamento alto”, afirma Miceli, da FGV.

No fim de outubro, a Netflix informou ao mercado que iria fazer uma captação de US$ 2 bilhões para investir em conteúdo. Em abril, a companhia havia adotada estratégia semelhante para conseguir US$ 2,2 bilhões.

No total, as dívidas da Netflix somam US$ 12,4 bilhões. Ao mesmo tempo, a companhia queima caixa. No ano passado, foram US$ 3 bilhões. Neste ano, a estimativa é de gastar outros US$ 3 bilhões.

Quando a Netflix divulgou os resultados de seu terceiro trimestre fiscal, em meados de outubro, o mercado suspirou aliviado. O desempenho foi bem superior ao imaginado e fez as ações subirem 10% depois do fechamento do mercado.

Pode ter sido o último momento de calmaria. A partir de agora, as águas serão turbulentas no caminho da Netflix.

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