O que a Andreessen Horowitz viu na Inventa para fazer seu 2º aporte no Brasil

Dois anos depois de investir na Loft, a gestora fundada por Marc Andreessen e Ben Horowitz colidera com a Monashees uma rodada séria A de R$ 115 milhões na Inventa, um marketplace voltado para o abastecimento de estoque de pequenos lojistas

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Os fundadores da Inventa: Fernando Carrasco (à esq.), Marcos Salama e Laura Camargo

Conhecida por apostas certeiras em empresas como Facebook, Instagram e Airbnb quando estavam dando seus primeiros passos, a gestora de venture capital Andreessen Horowitz está de olho no mercado brasileiro.

Depois de investir na Loft, em janeiro de 2020, em rodada que transformou a startup em unicórnio, a gestora americana fundada por Marc Andreessen e Ben Horowitz está fazendo seu segundo investimento no Brasil.

A Andreessen Horowitz, que tem mais de US$ 16 bilhões de ativos sob gestão, está liderando ao lado da brasileira Monashees uma rodada séria A de R$ 115 milhões na Inventa, um marketplace voltado para o abastecimento de estoque de pequenos lojistas.

O investimento conta ainda com a participação de outros investidores de peso do mercado, como Founders Fund, Tiger Global, Greenoaks, Greylock, além dos investidores-anjo Hans Tung, sócio da GGV Capital, e Carlos Garcia, fundador da mexicana Kavak.

A rodada também contou com a participação de investidores que já haviam injetado capital na empresa em rodadas anteriores, como Pear VC, NXTP, ONEVC, MAYA Capital e Alter Global também participaram. Antes da Série A, a Inventa havia levantado R$ 30 milhões em uma rodada seed feita em outubro de 2021.

Fundada em março do ano passado, a Inventa atua com um marketplace voltado para pequenas empresas. Mas, em vez de apenas de disponibilizar os produtos de fornecedores para lojistas, a companhia faz também a recomendação dos itens com base na demanda do mercado e na concorrência e fornece crédito para o pagamento a prazo.

“A ideia é ajudar o microempreendedor do varejo a encontrar produtos melhores e fornecer um prazo de pagamento que seja ajustado àquela realidade”, diz Marcos Salama, cofundador da startup ao lado de Fernando Carrasco e Laura Camargo.

A ideia do negócio surgiu quando Salama, que é engenheiro mecânico de formação, trabalhava na Rappi e atuou lado a lado com comerciantes donos de mercados e mercearias. “Os pequenos varejistas lidam com falta de capital de giro e com a dificuldade na escolha de quais produtos comprar”, diz Salama.

O crédito para os lojistas começa em R$ 1 mil e o valor pode aumentar conforme os pagamentos são feitos em boletos com vencimento de 30, 60 ou 90 dias. O valor não sofre alteração com o prazo escolhido – a menos que haja atraso no pagamento.

Em seis meses de operação, a startup já conta com 20 mil lojistas cadastrados, 400 fornecedores e 6 mil produtos disponibilizados no catálogo.

A startup opera somente com três categorias: mercearia, beleza e bem-estar e decoração. Não há intenção, ao menos neste ano, de expandir o serviço para atacar outras categorias como produtos eletrônicos ou vestuário.

“Hoje temos 400 lojistas que trabalham com cosméticos na plataforma, mas estimamos que existam mais de 3 mil no Brasil”, diz Salama. “Há muito espaço para crescer antes de abraçar novas categorias.”

O objetivo para este ano é atingir 100 mil lojistas na plataforma. Para fazer isso, a empresa vai usar o dinheiro captado para investir em tecnologia, marketing e na contratação de mais funcionários. Atualmente, a startup conta com pouco mais de 100 funcionários e planeja abrir outras 400 vagas ainda neste ano.

Os concorrentes da Inventa são serviços como Shopee e Alibaba, que atuam com produtos vindo do exterior, o que pode ser um complicador para pequenos comerciantes, na visão de Salama.

Fora do Brasil há empresas com modelos parecidos com o da Inventa. A francesa Ankorstore, por exemplo, levantou US$ 283 milhões neste mês numa rodada de captação de Série C e já vale US$ 2 bilhões.

A americana Faire, por sua vez, já captou mais de US$ 1 bilhão junto a gestoras como Sequoia Capital, Khosla Ventures, D1 Capital Partners, Dragoneer Investment Group, entre outros.

Apesar de ser o segundo investimento em uma startup brasileira, a Andreessen Horowitz vem há tempos investindo na América Latina. Na região, a gestora de venture capital já fez aportes nas colombianas Rappi e Addi e na mexicana Casai.

“Estamos aprendendo e entendendo melhor a região”, afirmou Horowitz, em uma live organizada pelo fundo brasileiro Canary, no ano passado. “Há um grande leque de empresas interessantes surgindo, especialmente em segmentos como serviços financeiros e delivery.”

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