De olho nos unicórnios locais, fundo que investiu em CargoX e Amaro foca no Brasil

A argentina NXTP Ventures já tem um portfólio com diversas startups brasileiras, como CargoX, Kangu, Cobli, Trocafone, Amaro e Arquivei. Agora, a gestora está captando um novo fundo e vai concentrar investimentos no País. Conheça a estratégia

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A CargoX, considerada a “Uber dos caminhões”, faz parte do portfólio da NXTP Ventures

Neste ano, diversas startups fundadas em países da América Latina desembarcaram no Brasil para tentar construir uma jornada semelhante a do Mercado Livre, que nasceu na Argentina, e a do Rappi, fundado na Colômbia.

Empresas como a de compra e venda de carros mexicana Kavak, as fintechs colombiana Addi e a mexicana Clara, a corretora de criptomoedas Bitso e a protech Casai, que compete com Housi, da Vitacon, e Nomah, da Loft, querem transformar o Brasil em seu principal mercado.

Mas não são apenas as startups que estão de olho no potencial do mercado brasileiro. Esse caminho está sendo seguido também por fundos de venture capital da região, que estão estabelecendo sua base no País para ficar mais perto de oportunidades de negócios.

Esse é o caso NXTP Ventures, um fundo early stage fundado em 2011 na Argentina, focado em B2B, e que já investiu em mais de 200 startups. Entre elas, diversas do Brasil, como CargoX, Kangu, Cobli, Trocafone, Amaro e Arquivei. “Queremos aumentar a participação do Brasil no nosso portfólio. A meta é que fique na casa dos 60%”, diz Alex Busse, sócio da NXTP Ventures, ao NeoFeed.

Com dois fundos captados, a NXTP Ventures contratou Bruno Dalapria para a operação brasileira. Dalapria atuou por três anos na e.bricks ventures (atualmente Igah, depois de se unir a Joá) e trabalhou também durante um ano na plataforma digital de crédito imobiliário BCredi, que fazia parte do portfólio da gestora – a startup foi comprada pela Creditas no começo de 2021.

“Eu sou o primeiro brasileiro da NXTP Ventures”, afirma Dalapria. “Quando a Covid passar, vamos montar um escritório e contratar mais profissionais para montar o time de investimento.”

A gestora argentina está também começando a captação de um terceiro fundo, segundo apurou o NeoFeed, para focar ainda mais no Brasil. Questionada, a NXTP Ventures não confirma a informação.

Em seu primeiro fundo, de US$ 20 milhões, a NTPX fazia cheques bem pequenos e construiu um portfólio de mais de 200 startups, seguindo o estilo da aceleradora americana Y Combinator, famosa investir pequenas somas de recursos em muitas empresas.

No segundo, de US$ 36 milhões, a estratégia mudou e o objetivo foi se concentrar num portfólio menor – de até 17 startups – com cheques que variam de US$ 500 mil a US$ 2 milhões em rodadas seed e série A. Esse fundo ainda tem recursos para investir.

Os dois mais recentes investimentos da NXTP Ventures, que marcam sua fase mais voltada para o Brasil, são a Inventa, um marketplace B2B que conecta fornecedores e varejistas de diferentes segmentos, e a Capim, uma empresa híbrida entre fintech e healthtech, focada em financiar exames e procedimentos para pacientes de baixa renda.

Alex Busse, sócio da NXTP Ventures

O alvo da NXTP são empresas que atuem no B2B de cinco setores. O primeiro deles é a área de SaaS (software as a service). Um exemplo é o da startup argentina Auth0:, que desenvolve uma plataforma de gerenciamento de identidade. Ela recebeu o primeiro cheque institucional da gestora em 2013. Em março deste ano, foi vendida por US$ 6,5 bilhões para a americana Okta, que tem capital aberto na Nasdaq e vale US$ 35 bilhões, em uma das maiores saídas de uma empresa SaaS na América Latina.

Outra área de interesse é a de logística. No portfólio estão empresas como CargoX e Kangu. A NXTP também investe em fintechs, sendo que o caso mais recente é o da argentina Pomelo, que se prepara para desembarcar no Brasil. Marketplaces e a área de big data completam o rol de setores em que a gestora foca.

A aproximação do mercado brasileiro pela NXTP é uma forma de estar mais perto do principal ecossistema de inovação da região. É também uma estratégia para tentar “caçar” unicórnios em seus estágios iniciais no País, cujos investimentos estão crescendo de forma acelerada.

Nos primeiros cinco meses de 2021, os investimentos de venture capital atingiram US$ 3,2 bilhões, 90% de tudo o que foi investido no País no ano passado, de acordo com o Distrito, ecossistema independente de startups.

Recentemente, o sócio do Softbank Latin America, Paulo Passoni, fez uma previsão considerada “maluca” por ele mesmo. De acordo com o investidor, os investimentos de venture capital devem passar de US$ 6 bilhões na América Latina em 2021. Em um período de dois a três anos, ele acredita que os aportes ultrapassem os US$ 10 bilhões. E, de cinco a dez anos, deve chegar a um patamar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

Em maio deste ano, o Kaszek, gestora argentina fundada por Nicolas Szekasy e Hernan Kazah, fundadores do Mercado Livre, captou US$ 1 bilhão em dois fundos – o equivalente aos outros cinco fundos que havia levantado desde 2011.

No portfólio da Kaszek, há oito unicórnios. Seis deles são do Brasil, como Nubank, QuintoAndarLoggiCreditasGympass e MadeiraMadeira, e dois do México (Kavak e Bitso).

Não é necessário desenhar para entender por que estar no Brasil pode ser importante não são para as startups, mas também para as gestoras de venture capital?

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