Operações globais são “pedra no chinelo” da Alpargatas e pesam nas ações

Desempenho abaixo do esperado no exterior gera preocupações sobre tempo e custo para consolidar a internacionalização do grupo. As ações fecharam o pregão de hoje em queda de 13,09%

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Quando anunciou a aquisição da Rothy’s no fim do ano passado, a Alpargatas sinalizou ao mercado a disposição de reforçar sua pegada global. Divulgado na noite da quinta-feira, o resultado da companhia no segundo trimestre mostrou, no entanto, que a companhia ainda não acertou seu passo lá fora. E tem investidor receoso de que a situação possa não melhorar no curto prazo. 

O desempenho pressionou os papéis da companhia no pregão desta sexta-feira. As ações preferenciais da empresa fecharam o dia com queda de 13,09%, para R$ 19,45. No ano, elas acumulam baixa de 47,7%, levando o valor de mercado a R$ 12,55 bilhões. 

Responsável por uma fatia de 41% da receita total da Alpargatas entre abril e junho, a receita internacional registrou uma queda de 16% em relação ao mesmo período de 2021, para R$ 433 milhões. As operações internacionais também registraram queda de 3,4 pontos percentuais (p.p.) da margem bruta, para 69,8%, e o Ebitda recorrente caiu 45,4%, para R$ 84,7 milhões, com a margem recuando em 10,5 p.p., para 19,5%. 

A situação acabou ofuscando o fato de que a Alpargatas teve um desempenho positivo no Brasil. A receita cresceu 18,6% no segundo trimestre, para R$ 616,5 milhões. A companhia viu ainda uma expansão da margem bruta de 1,9 ponto percentual (p.p.) em relação ao segundo trimestre do ano passado, encerrando seis trimestres consecutivos de contração, na mesma base de comparação. Outro destaque foi o avanço de 63,1% do Ebitda recorrente, para R$ 93,5 milhões. 

“O crescimento do mix de produtos e preços de 20,8% por par superou em muito nossas previsões, assim como a rentabilidade operacional do Brasil”, diz trecho do relatório do Bank of America. “Infelizmente, esses avanços foram ofuscados pelas quedas nos mercados internacionais, à medida que a Alpargatas reformula suas operações nos Estados Unidos e a Ásia continua prejudicada por lockdowns.

O volume de vendas de Havaianas no exterior caiu 5,4%. Na China, houve um recuo de 40% das vendas. Nos Estados Unidos, o volume recuou 36%.

Além de uma queda nas vendas de Havaianas, a Alpargatas também apresentou um resultado aquém do esperado com a Rothy’s. Embora a receita tenha crescido 82%, para US$ 59 milhões, o Ebitda ficou negativo em US$ 6 milhões.

A expectativa agora é do que virá pela frente. E os analistas do BofA não estão otimistas. Segundo Robert Aguilar, Melissa Byun e Vinicius Pretto, a operação internacional pode continuar pressionando os resultados, diante dos desafios nos diferentes mercados, e a Rothy’s deve continuar com rentabilidade baixa. 

“Vemos os desafios internacionais e a aceleração dos investimentos em marca na Rothy’s distraindo de um desempenho excepcional, embora continuamos de olho em possíveis pontos de inflexão”, diz trecho do relatório. O banco tem recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 24,00.

Os analistas da XP Investimentos disseram que o volume de vendas foi uma questão negativa no segundo trimestre, ainda mais no mercado internacional, mas destacaram o desempenho das operações brasileiras, que recuperou margem. 

“Vale destacar que para os próximos trimestres, a Alpargatas implementou mais um aumento de preços que deve ser refletido integralmente a partir de julho, o que deve contribuir para a recuperação das margens, enquanto o lançamento de [chinelos tipo] slides na Europa e Estados Unidos em junho e julho deve ser um vento a favor dos volumes na operação internacional”, diz trecho do relatório. 

A Alpargatas fechou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 63,8 milhões, queda de 39,6%. A receita líquida subiu 2%, para R$ 1 bilhão, e o Ebitda recorrente recuou 16,7%, para R$ 177,5 milhões.

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