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Sem ser lucrativa, Lemonade quer ir à bolsa. Os investidores vão tomar essa limonada?

Startup da área de seguros, que recebeu US$ 480 milhões de investidores como Softbank e Allianz, dobrou seu prejuízo em 2019 e vai testar humor dos investidores a companhias deficitárias ao tentar abrir o capital na Bolsa de Nova York

 

Os fundadores da Lemonade, Daniel Schreiber (à esq.) e Shai Wininger

Os IPOs estão de volta a Wall Street. Nas últimas semanas, em meio a pandemia do novo coronavírus, várias empresas testaram o humor dos investidores, como a Warner Music e a ZoomInfo, com relativo sucesso.

Agora, uma startup que não é lucrativa e tem como investidores Softbank, Allianz, General Catalyst, Inventure Partners, entre outros, quer tentar a sorte na bolsa de valores. Será que vai conseguir fazer uma limonada?

A candidata é a Lemonade, uma insurtech avaliada em US$ 2 bilhões e que já levantou US$ 480 milhões desde 2016. A empresa usa inteligência artificial e big data para analisar o risco de um seguro em comparação aos seus concorrentes tradicionais.

Nesta semana, a Lemonade protocolou sua papelada para abrir o capital na Bolsa de Nova York (Nyse). Em 2019, ela teve um prejuízo de US$ 108,5 milhões, mais do que o dobro do que o ano anterior. As receitas, no entanto, cresceram três vezes e passaram de US$ 21,2 milhões para US$ 63,8 milhões.

Em seu prospecto, a startup que foi fundada pelos empreendedores Daniel Schreiber e Shai Wininger faz um aviso de praxe sobre os riscos de investir na companhia. Mas, para quem não deu lucro ainda, o recado pode soar alarmante.

“Nós temos uma história de perdas e podemos não atingir ou manter a lucratividade no futuro. Esperamos que as nossas perdas cresçam no curto prazo enquanto vamos continuar a fazer investimento para crescer nossos negócios”, diz um trecho do prospecto protocolado na Nyse.

O modo de operação de startups, em geral, é esse. O mantra dos empreendedores é crescer, crescer e crescer ainda mais. Mas, desde a abertura de capital da Uber e do fracasso do IPO da WeWork, essa música não tem soado bem aos ouvidos dos investidores, que querem, ao mesmo tempo, crescimento conjugado com rentabilidade.

Para convencer de que vale a pena apostar na empresa, a Lemonade diz que vai usar os recursos captados para expandir sua cobertura para todo o território dos Estados Unidos e para outros países europeus. Hoje, ela está presente em quase 30 estados americanos, além de operar também na Alemanha e Holanda.

A empresa trabalha sob um modelo diferente das seguradoras tradicionais, pois doa 75% do que não é empregado no uso da apólice e só fica com 25% para cobrir os custos operacionais.

De acordo com a Lemonade, cerca de 70% de seus clientes têm menos de 35 anos e aproximadamente 90% dos usuários declararam não estar migrando de seguradora, mas sim começando uma apólice nova.

Isso significa que a Lemonade tem a possibilidade de fidelizar esse cliente e acompanhá-lo na ascensão de sua vida pessoal e profissional, passando a oferecer outros seguros, como de carro, imóvel e assim por diante.

A Lemonade atua em um mercado gigante. Seguros contra acidente, seguro de vida e seguro de propriedade movimentam US$ 5 trilhões em todo o mundo e respondem por 11% do PIB dos Estados Unidos.

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