Sem terceiro fundo, sócios da Redpoint eventures seguem caminhos separados

Anderson Thees, Manoel Lemos e Romero Rodrigues mantêm a gestão de dois fundos, que somados captaram mais de US$ 300 milhões e investiram em cerca de 50 startups. Mas, a partir de agora, vão seguir caminhos distintos em novos negócios

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Os sócios da Redpoint eventures (da esq. à dir.): Anderson Thees, Manoel Lemos e Romero Rodrigues

Em um momento em que o mercado de venture capital brasileiro vive um crescimento explosivo, os sócios do fundo de venture capital Redpoint eventures Anderson Thees, Manoel Lemos e Romero Rodrigues decidiram não captar um terceiro fundo e vão trilhar caminhos separados em seus novos negócios.

Com dois fundos captados que somados levantaram mais de US$ 300 milhões, eles vão, no entanto, seguir juntos na gestão desse portfólio, que conta com mais de 50 startups e tem, pelo menos, mais oito anos para realizar o desinvestimento.

No momento, os dois fundos estão fechados para novos investimentos e só devem fazer follow ons em algumas startups do portfólio, que inclui três unicórnios: Rappi, Creditas e Gympass.

A informação já foi comunicada aos limited partners dos dois fundos e aos empreendedores das startups nas quais a Redpoint eventures investe e foi confirmada ao NeoFeed por dois dos sócios da Redpoint eventures.

“De fato não vamos mais levantar novos fundos”, disse Lemos, ao NeoFeed. “Mas seguimos gerindo os fundos 1 e 2 e estamos focados em cuidar desses portfólios.”

Rodrigues acrescentou: “Começamos a discutir governança e estratégia e não teve convergência”, disse ele ao NeoFeed, em referência ao fundo 3. “Estou, agora, superfocado em geração de valor ao portfólio”. Thees não foi encontrado para comentar.

Segundo apurou o NeoFeed, os três sócios não se entenderam em questão de estratégia, foco geográfico e o estágio de investimento (investir em early stage ou avançar para late stage, por exemplo) de seu terceiro fundo.

Com isso, decidiram seguir caminhos separados. Lemos e Rodrigues, além de gerirem o portfólio, disseram que não sabem ainda qual serão seus próximos passos. Mas a tendência é que Thees e Lemos possam se unir em um próximo negócio, apurou o NeoFeed.

A saída de Rodrigo Baer, que fazia parte da equipe da Repoint eventures, foi motivada pelo fato de a gestora não iniciar uma nova captação. Ele iria criar seu próprio fundo de venture capital, mas acabou optando por ir para o Softbank, que o convidou para ser sócio e tocar a estratégia de investimento em startups em estágio inicial.

Além de Baer, Flávio Pripas também já havia deixado a Redpoint eventures. Ele ainda está decidindo qual deve ser o seu destino, disseram fontes ao NeoFeed.

Nos últimos tempos, a Redpoint aparecia mais no noticiário por suas saídas do que por novos investimentos. Só em 2021, foram seis exits. Entre eles, a RD Station, comprada pela Totvs, e a Repassa, adquirida pela Lojas Renner.

A gestora vendeu também suas posições na Memed, para a DNA Digital; na Gesto, para a Dasa; na Minuto Seguros, para a Creditas; e na Passei Direto, para a UOL EdTech. Em 2020, a Redpoint saiu também da Antecipa, comprada pela XP.

A decisão de não captar um terceiro fundo pela Redpoint eventures acontece em um momento de extrema liquidez do mercado de venture capital.

Entre janeiro e agosto deste ano, as startups brasileiras já receberam US$ 6,6 bilhões em investimentos, segundo dados do Distrito, um ecossistema independente de startups. Essa soma é 85% superior ao investido ao longo de todo o ano de 2020.

A previsão do Distrito é que os investimentos de venture capital em startups no Brasil devam ficar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2021.

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