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Insiders

“WeWork chinês” quer fazer o que o WeWork não conseguiu

Ucommune, maior empresa de escritórios compartilhados da China, está avaliada em US$ 3 bilhões e pretende negociar suas ações na bolsa americana até o fim deste ano. Conseguirá convencer os investidores de que não é igual a empresa do Softbank?

 

Daqing Mao, fundador da Ucommune

Elas compartilham escritórios e o mesmo sonho de abrir capital, mas as similaridades param por aí. Enquanto o WeWork viu sua tentativa de estreia na bolsa de valores agonizar em praça pública, com direito a destituição do CEO e resgate de seu maior investidor, o Softbank, a chinesa Ucommune aparenta não se abalar com o recente desempenho do rival e quer abrir o capital na Nasdaq até o fim deste ano. 

Fundada em 2015 por Daqing Mao, a Ucommune é maior empresa de compartilhamento de escritórios da China. Em novembro do ano passado passado, ela recebeu uma rodada série D de investimento, o aporte de US$ 200 milhões. Dois meses atrás, a companhia levantou mais US$ 28 milhões em uma nova rodada, sendo avaliada em US$ 3 bilhões.

Segundo fontes citadas pelo jornal asiático Mingtiandi, Mao planejava fazer esse movimento no ano passado, mas, alegando incertezas de mercado, achou por bem postergar os planos. Muitos acreditaram que, diante do desastre da WeWork, cujo valor passou de US$ 47 bilhões para US$ 8 bilhões, a chinesa atrasaria mais uma vez a tentativa de IPO (sigla em inglês para “oferta pública inicial”). 

Mas diante das seis aquisições concluídas entre março e outubro de 2018, a Ucommune ganhou uma outra estatura, somando ao seu portfólio outros 26 endereços em Pequim e Xangai – só nesta última, por exemplo, a empresa dispõe de 43,6 mil mesas para locação temporária.

No total, a startup conta com 200 endereços em 37 cidades, incluindo Nova York, Taipei e Hong Kong. Em 2017, a empresa reportou receita de 300 milhões de yuan (aproximadamente US$ 43 milhões, ao câmbio atual). Apesar disso, há dúvidas sobre se não há exagero neste oferta.

A startup conta com 200 endereços em 37 cidades, incluindo Nova York, Taipei e Hong Kong

De acordo com um levantamento feito pelo jornal britânico Financial Times, 36% das vagas em Xangai estão vazia, assim como 65% das oito mil mesas em Shenzhen. Em Xi’an, a taxa de vacância é de 79%.  

Esses percentuais explicam a decadência de 40 empresas de compartilhamento de escritórios na China entre os meses de janeiro e outubro do ano passado, num levantamento organizado pela China Real Estate Chamber of Commerce. Esse mesmo relatório apontou que 40% de todos os projetos de coworking estavam mais da metade vazios até sua publicação, em fevereiro de 2019. 

Para defender seu modelo de negócio e dias melhores, a Ucommune aposta em preços mais atrativos, cobrando mensalidades que variam entre US$ 170 e US$ 400 por mesa. Pelo mesmo serviço, no mesmo espaço de tempo, o WeWork pedia entre US$ 500 e 1,2 mil – dependendo da localização do escritório.

Os principais investidores da Ucommune são a All-Stars Investments e Beijing Xinpai Group, que parecem não se preocupar com a taxa de vacância média de 21,3% nas 17 cidades chinesas em que a empresa está presente. 

Com o intuito de arrecadar outros US$ 200 milhões com a abertura de seu capital, a chinesa já trouxe a bordo o Citigroup e o Credit Suisse, que devem assessorar o processo de listagem. A empresa pretende usar o dinheiro para sustentar sua expansão global, uma vez que a pretensão é se espalhar por 350 cidades em 40 países.

Paralelo a todos os desafios que envolvem esse processo de estreia na bolsa de valores americana, a Ucommune tem ainda que enfrentar a pressão por mais regulamentação.

Uma proposta encaminhada ao Congresso americano pede que todas as companhias chinesas que não forem transparentes com os órgãos regulatórios nos EUA sejam retiradas das listagem. Além disso, o documento sugere que todos os oficiais do partido comunista chinês na diretoria sejam identificados. 

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