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Fortes emoções na montanha-russa do mercado financeiro

O sobe-e-desce do bitcoin, o real “em linha reta”, os descontos nos IPOs e muito mais para quem pretende se aventurar nesse “parquinho de diversões”

 

Velhotes, como já dizia minha mãe quando me levava a um parque de diversão: cuidado com essa montanha-russa, menino! “Prende bem a trava! Prende bem a trava, hein! Cuidado!”

Mal sabia ela, que, ao repetir aquela frase sem parar, ela estava me dando uma grande lição do que é viver no Brasil, sobretudo viver o dia-a-dia do mercado financeiro.

Exagero? Não é não. Nos últimos tempos (na verdade, desde que o Brasil é Brasil), temos vivido fortes emoções. Um sobe-e-desce de expectativas.

A bolsa vai bombar! Não, a janela fechou. Espera aí, fechou não. Os IPOs só estão sendo precificados mais baratos. “Me dá um descontinho, vai!”

Quem olha para a volatilidade do Bitcoin deve achar que ele é brasileiro, mais quando está caindo do que subindo. Mesmo assim, ele ganhou a confiança dos investidores.

O que continua igual, praticamente uma linha reta, é a recomendação dos analistas do Morgan Stanley sobre o real. Mais abaixo eu explico o que eles disseram. Boa leitura, velhotes! Ah! E prendam a trava!

Vocês vão ter que me engolir!

A referência acusa a idade, mas essa frase do Zagallo de 1997 poderia ser usada para o mundo das criptomoedas. Tudo bem que o bitcoin tenha caído 15% no fim de semana mas fato é que alguns marcos importantes têm ajudado a “institucionalizar” esses ativos.

O IPO da Coinbase levou a maior exchange de criptomoedas dos EUA a um valuation superior a soma de Itaú e Bradesco. Vale destacar também a maior participação dos investidores institucionais, o lançamento do ETF de criptomoedas da Hashdex que já ultrapassa R$ 450 milhões em reservas, o endosso do Elon Musk e por aí vai.

Enquanto você lê essa nota o bitcoin deve ter batido uma nova máxima histórica (ou caído 10%). Como disse o Fernando Ferreira, Estrategista-chefe da XP e o mais recente personagem de Humans of Condado, as criptos saíram da adolescência e chegaram a vida adulta – e, como todo bom adulto, só faltam chegar os boletos (impostos e regulação).

A B3 virou o Grande Bazar

Quando fui à Istambul e visitei o Grande Bazar um comerciante turco me falou que se sentia até ofendido quando não havia negociação de preço em suas vendas. Não se compra nada por lá sem muita barganha, é um traço cultural. Bom, velhotes, quando olhamos para o pipeline de IPOs não tem sido muito diferente.

As discussões sobre o valuation das ofertas têm sido acaloradas desde o início do ano, mas os grandes descontos chegaram nessa última leva. As empresas que seguiram em frente com seus IPOs em abril tiveram que aceitar uma precificação abaixo da faixa indicativa e com um desconto médio de 15%.

Sigo otimista com o robusto pipeline de ofertas e principalmente com aquelas transações maiores (acima de R$1 bilhão) que tendem a dar mais conforto e liquidez aos investidores. De qualquer forma: ou vende mais barato ou não sai negócio!

Bull Market de patinete

Todo mundo quer ser startupeiro hoje em dia mas poucos conseguem ter uma ideia “disruptiva”. A boa notícia é que estamos cada vez mais próximos da popularização dos investimentos de varejo em startups, algo que sempre foi visto como algo exclusivo a grandes investidores ou aos fundos de venture capital.

Na semana passada a Lovin Wine, startup de vinhos em lata, captou R$ 2 milhões via equity crowdfunding com investidores do varejo. Isso foi viável por meio da plataforma Captable, da Startse. De forma resumida, eles ligam investidores pequenos a projetos de empreendedores por meio da emissão de um contrato de nota conversível em ação.

Conversei com o Paulo Deitos, CEO da Captable, e ele disse que o pipeline deles para esse tipo de “IPO de startups” chega a 40 deals e mais de R$ 100 milhões em volume. O ticket médio de entrada nessas ofertas é R$1 mil. Logo está mais barato ser sócio de startup do que “startupeiro”, considerando o custo de um airpod, um tênis da Yuool, um patinete, uma camiseta preta tope, etc.

Vai e vem dos emergentes

No final do ano passado o Morgan Stanley soltou um relatório dizendo que era a hora de dar um “all-in” em moedas emergentes, aproveitando o cenário de menor volatilidade e um apetite maior por risco.

Meses depois o mesmo research orienta os investidores a vender moedas emergentes, de olho no aumento dos juros futuros americanos e o avanço mais acelerado da vacinação no mundo desenvolvido, em especial no próprio Estados Unidos.

O que tem em comum nos dois relatórios? Não compre “brazilian real”. E depois falam que o Brasil não apresenta estabilidade, velhotes. Desde o fim do ano passado o mesmo call para a nossa moeda.

Fazenda Buy Vista

Com quase todas as fronteiras fechadas para brasileiros e sem a possibilidade de tomar um bom negroni nos bares da cidade, o mercado financeiro correu em peso para o interior.

Quem está sorrindo é a JHSF que viu as vendas do condomínio de luxo Fazenda Boa Vista, no interior de São Paulo, subirem 36% no último trimestre alcançando a marca de R$346 milhões.

Eu aproveitaria que os olhos (e os cheques) estão apontados para esses condomínios para encontrar boas oportunidades na Baleia ou em Campos de Jordão, destinos aprovados há anos pelo Faria Limer, ou para ir tomar vacina nas Ilhas Maldivas!

Arthurito da Faria Lima tem mais de uma década de experiência no mercado financeiro e lançou seu perfil no Instagram, em agosto de 2020, para comentar os bastidores do Condado da Faria Lima – de preferência apreciando um bom Negroni. Nos fins de semana, costuma desembarcar com a sua “tropa” na Baleia, em Campos ou na Península.

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