“Mulher-Maravilha’’ e as heroínas da vida real em série no YouTube

A atriz israelense Gal Gadot apresenta a série documental “Impact”, da National Geographic, destacando seis mulheres que fazem a diferença em suas comunidades, incluindo a bailarina carioca Tuany Nascimento

0
121
Leia em 5 min

Gal Gadot produziu a série ao lado de seu marido Jaron Varsano

Desde 2017, Gal Gadot briga por um mundo melhor nas telas, na pele da Mulher-Maravilha, personagem da DC Comics. Longe dos sets, no entanto, a atriz israelense sentia necessidade de encontrar as heroínas de carne e osso, as mulheres que impactam positivamente as comunidades onde vivem.

Foi assim que nasceu a série documental “Impact”, atualmente em exibição no canal do YouTube da National Geographic. Com um total de seis episódios, lançados semanalmente, a produção destaca o trabalho de mulheres que driblam a pobreza, a violência, a discriminação, traumas ou desastres naturais, mudando a realidade ao seu redor para melhor.

“Todas elas me inspiram pela paixão e pela força de vontade que demonstram nas causas que defendem”, disse Gal, durante evento virtual da série realizado pela American Cinematheque, que teve cobertura do NeoFeed.

“Com o sucesso dos filmes ‘Mulher-Maravilha’, eu e meu marido (Jaron Varsano) abrimos uma produtora, a Pilot Wave, com a intenção de aproveitar o alcance que tenho para contar as histórias que muitas vezes não têm o crédito que merecem”, contou Gal, de 36 anos.

Ela é a apresentadora e a produtora executiva da série que buscou inspiração em mulheres dos EUA, de Porto Rico e também do Brasil. A representante nacional é a carioca Tuany Nascimento, idealizadora do Na Ponta dos Pés, um projeto social que oferece aulas de balé clássico, dando às meninas do Complexo do Alemão a esperança de um futuro melhor.

Encontrar mulheres de impacto social positivo ao redor do mundo não foi o maior desafio que a equipe do programa enfrentou. E sim escolher os melhores perfis, para garantir mais visibilidade à série, em que cada heroína ganha um episódio de cerca de 12 minutos.

“Passamos muito tempo pesquisando nas redes sociais, em jornais locais e internacionais e também em fundações. A primeira história que selecionamos foi a do Brasil, a partir de uma foto de Tuany no Instagram”, contou a diretora da série, Vanessa Roth.

“Na ponta dos pés”, o projeto que ensina balé para as meninas do Complexo do Alemão – Foto: Sebastian Gil Miranda/Divulgação

Com première no YouTube no dia 31, o episódio “Na Ponta dos Pés” mostra o cotidiano das bailarinas no estúdio de dança montado em uma das favelas mais perigosas, na zona norte do Rio. Em uma cena, o cinegrafista chega a perguntar a Tuany se o barulho que ouve durante a gravação é de fogos de artifício. Ela responde que são tiros.

“Mesmo com tudo contra Tuany, ela construiu um estúdio de balé na favela. E ela mesma conseguiu convencer as alunas a levaram os tijolos morro acima, algo quase inimaginável e bonito de se ver”, afirmou o produtor executivo Jaron Varsano.

Na Ponta dos Pés nasceu há 8 anos, quando o projeto contava com apenas 50 meninas. Hoje são 155 bailarinas, um número que promete crescer se Tuany conseguir realizar o sonho de construir um segundo andar na sede, a partir de doações.

“Saber que eu fui a inspiração para a série ‘Impact’ é muito mágico e fortalecedor”, contou Tuany, de 27 anos. “A ideia é formar, além de bailarinas, seres pensantes capazes de ingressar na sociedade de forma digna, sabendo quem são e aonde querem chegar. E sem se esquecerem de onde saíram”, completou ela.

Todas as mulheres escolhidas para a série enfrentam adversidades no caminho que escolheram. O episódio “The Ripple Effect” (“O Efeito Dominó”), rodado em Porto Rico, mostra a luta da estudante Arianna Font Martin para que todas as pessoas da ilha tenham acesso à água limpa, depois do furacão Maria, em 2017.

Desde que Kelsey Ellis, do episódio “Surf Sisters” (“Irmãs do Surfe”), perdeu a irmã gêmea para a Covid-19, ela decidiu usar o luto de forma positiva, oferecendo um programa de terapia que recorre à prática do surfe. Sediado na Califórnia, o projeto beneficia mulheres afetadas pelo tráfico humano, violência doméstica, agressão sexual, luto e perda.

Vítima de discriminação por ser uma mulher trans, Kayla Gore constrói casas para fornecer abrigo a membros a comunidade LGBT no Tennessee em “Coming Home” (“Voltando para Casa”. “Ice Breakers” (“Quebra-Gelos”) conta a história de Kameryn Everett, uma treinadora de patinação artística que capacita garotas negras dentro e fora das pistas no Michigan.

O episódio “Killer Red Fox” (“Raposa Vermelha Assassina”) foi intitulado com o apelido de Shirell Parfait-Dardar, a chefe da tribo Grand Caillou da Louisiana. Ela é uma ativista ambiental que luta não só para salvar a terra de seus ancestrais (seu vilarejo está ameaçado pelas mudanças climáticas), mas também a cultura e a identidade de sua tribo.

Depois que todos os episódios estrearem no YouTube, o National Geographic vai juntar as histórias em um longa-metragem que terá exibição no canal. A estreia está prevista para 24 de junho, com apresentação em 142 países e em 43 idiomas.

“Na esperança de que a série viralize, nós a deixamos acessível inicialmente na internet”, disse Gal, que conheceu e entrevistou todas as heroínas por videochamada. Para respeitar os protocolos de segurança em tempos de Covid-19, apenas uma equipe reduzida viajou às locações para gravar a série.

“Quando nos falamos por Zoom, sempre digo a essas mulheres que elas são as heroínas de verdade, por darem o exemplo e superarem todas as dificuldades, fazendo a diferença no mundo. Eu apenas tenho a sorte de interpretar a personagem icônica chamada Mulher-Maravilha nas telas”, afirmou a atriz.

Leia também