O que pensam Stuhlberger, da Verde, e Landau, da Vista, sobre o populismo eleitoral

Política ganha espaço em debate entre Luis Stuhlberger, da Verde Asset, e João Landau, da Vista Capital. Os dois concordam que a eleição traz volatilidade, mas não afeta o investidor estrangeiro

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Debate (da esq. à dir.): Carolina Oliveira, da XP; André Jakurski, da JGP; Luis Stuhlberger, da Verde Asset; João Landau, da Vista Capital; e Fernando Ferreira, da XP

A proximidade da eleição presidencial tira o sono de muita gente, mas não é temida por dois renomados gestores brasileiros. Luis Stuhlberger, da Verde Asset, e João Landau, da Vista Capital, concordam que o governo, seja qual for o candidato eleito, vai liberar a política fiscal, condição que para o investidor estrangeiro importa pouco.

“Para o estrangeiro, que faz preço no Brasil, o que importa são os ciclos [econômicos] e o ciclo de commodities continuará em alta. Algum populismo vai acontecer, mas ninguém está no Brasil para casar. A eleição é secundária. O gringo olha, vê que o Brasil é emergente e entende que o governo vai liberar o fiscal. Então, para ele eleição importa pouco”, diz Landau.

Para Stuhlberger, o Brasil se comporta melhor com populismo de governo do que a América Latina em geral, o que delimita repercussões de campanha. “O Brasil se beneficiou do teto de gastos, como aprendemos ‘ex-post´ depois do PT gastar muito. Lamentavelmente, por falta de reformas, o Brasil não cresceu e chegamos a um populismo eleitoral”, afirma.

No painel na Expert XP 2022, que reuniu Stuhlberger, Landau e também André Jakurski, da JGP, o gestor do Fundo Verde alertou que, desde 1989, as eleições no Brasil são binárias e provocam grande volatilidade. Desta vez, comentou, “esse aspecto não existe mais”.

“Mas temos um risco que não sei precificar que é Lula ganhar de Bolsonaro por pequena diferença. Tenho dado o nome hipotético de ‘banana republic’ a uma crise de duas a três semanas depois, e acho que o mercado não está preparado para esse tipo de risco.”

Apesar da ideia de que o risco faz a oportunidade, Stuhlberger diz “não ter coragem de ficar comprado em prefixado e vendido em dólar”. Ele disse ter no portfólio posição relevante em bolsa. “Não tenho prefixado e não tenho câmbio”.

Landau, da Vista, aposta nas commodities e diz que quando está animado fica comprado na bolsa. “Não gosto de dólar”, comentou. Ele enfatizou sua preocupação com a China, onde vê em curso uma mudança de modelo [econômico]. E acredita que a China “ficará cada vez mais comunista” ou terá uma virada para um mercado de consumo que deve favorecer o petróleo.

Jakurski, da JGP, por sua vez, entende a relevância da China, mas diz ter “sentimentos ambíguos e é positivo que o país esteja desacelerando porque isso ajuda o mundo a desacelerar com maior tranquilidade”.

Parte do debate na Expert XP foi dedicada à política monetária e os três gestores concordam que a narrativa de inflação/juro/recessão vai persistir. Os juros devem continuar subindo no mundo e o investidor deve estar atento ao mercado de crédito, dada a relevância das dívidas que encarecem com a evolução dos juros.

Stuhlberger lembrou que não se via o cenário atual de inflação e juro há 40 anos. “O Federal Reserve (Fed) demorou a agir, mas veio com uma violência grande. Em janeiro, o mercado via três elevações da taxa americana em 0,25 ponto percentual. Em 2021, o mercado chegou a precificar um primeiro aumento pelo Fed em 2024. As taxas atuais [depois da ação do Fed nos últimos meses] não são comparáveis ao que vimos no passado, mas taxa de 3%/3,5% é alta”.

Jakurski chamou atenção para as “forças inflacionárias e deflacionárias” que estão em ação. Ele entende que mão de obra é inflacionária porque os governos combatem a desigualdade com gastos. As dívidas gigantes de governo ou corporativas são deflacionárias. “Se o Fed colocar o juro a 5% ou 6%, vamos ver o que acontece. [Nesse cenário] deve-se olhar para o crédito e não para a bolsa”, acrescenta o gestor, para quem “a única certeza que temos pela frente é que os juros reais não serão tão altos”.

Para o gestor da JGP, os governos serão mais proativos para evitar uma explosão de dívidas. “Vejo que mudou o padrão de atividade dos bancos centrais. Não tem mais a moleza de política monetária dos últimos 13 anos”, referindo-se às injeções maciças de dinheiro nas economias na esteira da crise financeira global de 2008/2009.

Jakurski avaliou que Jerome Powell, presidente do Fed, foi “extremamente infeliz” ao dizer, depois da última reunião de política monetária, que a taxa (2,25%/2,5%) havia chegado ao ponto “neutro”. “Outros dirigentes do Fed procuraram consertar o discurso dele nesta terça-feira, 2 de agosto, sinalizando que o juro poderá subir mais porque, sem que o juro suba mais a inflação não vai desacelerar e o juro será negativo.”

Em sua análise, está em curso uma mudança de modelo financeiro mundial, o que exige maior cautela na escolha de ativos. “Não pode se desesperar só porque o juro está baixo. Os multimercados dão retorno em qualquer cenário porque as carteiras têm ativos líquidos. É loucura sair dos multimercados no médio prazo para ir para a renda fixa, ainda que, no curto prazo, a renda fixa seja um porto seguro”, completou Jakurski.

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