Um marketplace para chamar de seu: Ô Insurance vai da telemedicina às bikes e celulares

A insurtech aposta no conceito de Open Insurance e investe na criação de marketplaces com parceiros para alcançar milhões de clientes que pouco contratavam seguros. O fundador, José Carlos Macedo, explica a estratégia ao NeoFeed

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José Carlos Macedo, fundador e CEO da Ô Insurance

Aos 60 anos, José Carlos Macedo é um veterano do setor de seguros. Há 45 anos no batente, ele passou por grupos como Bradesco, Icatu, Aon e Pan Seguros. E liderou a chegada de modalidades ao mercado local, como os seguros nas contas de energia e a extensão da garantia de itens comprados no varejo.

Desde 2017, Macedo está à frente de um novo projeto, mas agora como empreendedor. Sua cruzada, no entanto, segue a mesma. No comando da insurtech Ô Insurance, ele quer democratizar o acesso ao mundo das apólices, prêmios e coberturas.

“Somente 10% dos brasileiros têm alguma cobertura de seguros”, afirma Macedo, ao NeoFeed. “O problema é chegar no cliente certo, no momento certo e com o custo e atendimento adequados.”

Para isso, a startup se inspira no Open Banking, agenda do Banco Central que promete redefinir o setor financeiro. Sob o conceito de Open Insurance, a empresa planeja turbinar a distribuição de seguros por meio de um markeplace próprio e da estruturação de plataformas white label para terceiros.

O fruto mais novo da estratégia com parceiros é o Mobcare, plataforma de seguros criada para a Mobilicidade, braço digital da Sertell, do Recife (PE). A empresa desenvolve e opera aplicativos de zona azul e de estacionamentos privados, além de serviços de bicicletas compartilhadas em 21 cidades do País.

Lançado neste mês, o projeto resume o direcionamento da Ô Insurance. Com ele, a insurtech terá acesso a uma base de quase 5 milhões de usuários dos cerca de 50 apps da Mobilicidade.

O marketplace reúne ofertas desenhadas especificamente para o público da Mobilicidade, em parceria com companhias como a MAG Seguros, seguradora do grupo Mongeral Aegon, e a EPharma, empresa de distribuição de produtos farmacêuticos.

Sem fidelidade e carência, são duas opções de contratação 100% digitais, com mensalidades de R$ 29,90 e R$ 39,90. As coberturas incluem consultas por telemedicina, atendimento odontológico de urgência, indenização por invalidez permanente ou parcial por acidente e serviço de assistência funeral.

A plataforma oferece ainda descontos de até 80% em consultas presenciais e exames, e descontos mínimos de 50% em medicamentos genéricos. A rede credenciada tem os laboratórios Fleury, A+, Dasa e Hermes Pardini. Em farmácias, ela passa por RD, Panvel e Pague Menos, entre outros nomes.

A plataforma oferece ainda descontos de até 80% em consultas presenciais e exames, e descontos mínimos de 50% em medicamentos genéricos

Já nas consultas, o modelo é semelhante ao adotado por empresas como a Uber, com médicos plugados na plataforma.

Até o fim do ano, esse portfólio ganhará opções em seguros auto, odontológico e residencial, além de coberturas para celulares e bikes. “O plano é fechar 2021 com 100 mil usuários”, diz Marco Antonio Gonzaga, diretor da Afinity, unidade de negócios B2B2C da Ô Insurance.

Novos projetos

O Mobcare é o segundo projeto implantado pela Ô Insurance nesse formato. A estreia veio em dezembro com uma plataforma criada para a Conta Zap, conta digital que funciona por meio de ferramentas como WhatsApp, Facebook e Instagram.

A insurtech cuida do back-office e da gestão dos marketplaces, com soluções como call center e sistemas de relacionamento com os clientes (CRM). No momento, há mais cinco projetos em implantação e outros oito em negociações avançadas. O foco são fintechs, bancos digitais e empresas de e-commerce.

“Nenhum projeto será igual ao outro”, explica Macedo. “Cada parceiro tem um perfil, região, tíquete médio e vamos modular cada plataforma e as ofertas de seguradoras parceiras de acordo com essas premissas.”

A Ô Insurance também tem o seu próprio marketplace, o Ôn Vida+, debaixo do guarda-chuva da Assegurou, divisão que compreende seus negócios B2C. O portfólio da unidade envolve ainda 1,2 mil sites, cujas parcerias com seguradoras e ofertas de produtos são definidas de acordo com as demandas de cada região. Com a divisão, a empresa alcançou R$ 100 milhões em prêmios no ano passado.

Com essas vertentes, a Ô Insurance engrossa a onda de novos modelos em diferentes elos do mercado de seguros. Esse pacote envolve desde startups como a Youse, insurtech da Caixa Seguradora que trabalha com apólices digitais e personalizadas, até nomes tradicionais da cadeia, como o Grupo Fleury, que lançou na semana passada um marketplace com produtos e serviços de saúde.

Em 2020, a empresa alcançou um volume de R$ 100 milhões em prêmios

Em todas essas propostas, um fator se destaca. “Antes, as seguradoras tradicionais viam essas novas propostas como uma ameaça”, diz Alejandro Moran, head de insurance da consultoria Everis para a América Latina. “Mas houve uma aproximação recente entre esses dois mundos.”

Sob essa perspectiva, a Ô Insurance já vislumbra buscar mais recursos para seguir expandindo a sua oferta. A empresa nasceu com um investimento de R$ 20 milhões, aportado pelos family offices Forest Holding, do próprio Macedo, e GBM, e por Daniel McQuoid, ex-executivo da JHSF.

“Estávamos em conversas com investidores em dezembro, mas decidimos segurar o processo por conta da segunda onda da pandemia”, explica Macedo. “Nossa ideia é trazer um novo sócio para a operação e captar por volta de R$ 40 milhões.”

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