Para Lojas Renner, retorno às ruas levará a uma renovação do guarda-roupa

Em conversa com o Goldman Sachs, o CEO da companhia, Fabio Faccio, admitiu que a inflação e os juros freiam o consumo, mas espera que a volta da socialização aumente a demanda por roupas

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Se o isolamento social diminuiu o incentivo para que as pessoas comprassem roupas novas, o retorno às ruas, aos escritórios e aos eventos pode destravar uma demanda que ficou reprimida, gerando um novo impulso para o setor de vestuário.

Essa é a crença do CEO da Lojas Renner, Fabio Faccio, segundo um relatório publicado nesta segunda-feira, dia 22, pelo Goldman Sachs, que se reuniu com o executivo e outros representantes da gestão da companhia na sexta-feira, dia 19.

De acordo com o banco americano, Faccio reconheceu que que a demanda para o varejo em geral pode ser prejudicada pela aceleração da inflação e pela alta dos juros, que corroem o poder de compra do consumidor, mas ele acredita que o setor de vestuário vai colher bons frutos com o arrefecimento da pandemia.

“A visão positiva de Faccio se baseia na contínua recuperação das tendências de mobilidade das pessoas, que não apenas aumentam o tráfego nas lojas, mas também a demanda para renovação do guarda-roupa, para socializar e retornar ao local de trabalho”, escrevem os analistas do Goldman Sachs, Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini.

O CEO da Lojas Renner, porém, disse ao banco que o fluxo das lojas ainda não voltou ao nível anterior à pandemia, fato que ele atribui a uma “cautela persistente” de parte da população para sair de casa e ir a locais de maior movimentação.

Apesar disso, as vendas realizadas já superam os resultados anteriores à crise de saúde. No terceiro trimestre deste ano, a receita da companhia cresceu 14,5% em relação a igual período de 2019, em conta que considera apenas as mesmas lojas.

Em relação a 2020, o avanço é de 22,7%. O Goldman Sachs estima que a companhia terminará o ano com expansão de 121,7% nas vendas das mesmas lojas, em comparação ao ano passado.

Ponto de preocupação de Faccio para os próximos trimestres, a inflação medida pelo IPCA já chega a 10,67% em 12 meses até outubro, o maior resultado para um intervalo de um ano desde janeiro de 2016. A taxa básica de juros, como consequência, deve atingir 11% no fim de 2022, segundo o boletim Focus, do Banco Central (BC).

Na avaliação do Goldman Sachs, um dos riscos para a Lojas Renner é que a reabertura da economia ocorra de maneira mais lenta que a esperada. Na sexta-feira passada, dia 19, o Brasil atingiu a marca de 60% da população com vacinação completa, seja com duas doses ou com dose única.

No encontro com os analistas do banco, Faccio também foi questionado sobre a concorrência de marcas asiáticas, como a varejista online Shein. “Ele reconheceu o rápido crescimento nos downloads no aplicativo (do concorrente), mas observou que a proposta de valor é diferente”, diz o Goldman Sachs.

No ambiente online, as vendas da Renner alcançaram R$ 377,4 milhões no terceiro trimestre, alta de 226% em relação a igual período de 2019, apesar de a empresa ter sofrido um ataque hacker em agosto. Com a pandemia, a penetração das vendas digitais no total da companhia saltou de 4,6% para 12,2% em dois anos.

Na concorrência do varejo físico, Faccio ressaltou que a severidade e a duração da pandemia deixaram muitos pequenos varejistas de vestuário em uma situação mais vulnerável. “Nesse contexto, a administração enxerga oportunidades para acelerar o ganho de participação em um setor ainda bastante fragmentado”, escrevem os analistas.

No terceiro trimestre, a Renner teve lucro líquido de R$ 172 milhões, após prejuízo de R$ 82,9 milhões em igual período de 2020. Por volta das 11h, a ação da companhia operava em alta de 0,37%, para R$ 32,44. O Goldman Sachs recomenda a compra do papel e vê potencial para a cotação chegar a R$ 43 em 12 meses.

 

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