Nubank chega e GetNet quer sair (da bolsa)

No dia em que o Nubank anuncia sua entrada no mercado de adquirência, a GetNet, que foi cindida do Santander no ano passado, divulga plano de deixar a bolsa sete meses após abrir o capital

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GetNet é avaliada em R$ 3,3 bilhões na B3

Mal chegou e já vai embora. Com apenas sete meses de presença na B3, a empresa de pagamentos GetNet anunciou a intenção de fechar o seu capital e realizar uma oferta pública pelas ações no Brasil e recibos de ações nos Estados Unidos. 

A companhia, que até a listagem era uma subsidiária do Santander, divulgou nesta quinta-feira, 19 de maio, que vai ofertar R$ 2,36 por ação ordinária, R$ 2,36 por ação preferencial e R$ 4,72 por unit. Pelas ADSs listadas na Nasdaq, a GetNet vai oferecer US$ 1,91. 

Segundo a empresa, os valores ofertados representam um prêmio de 29,3% sobre o preço de mercado de fechamento das units da Getnet desta quinta-feira. Hoje, as units da GetNet encerraram o pregão em R$ 3,65, alta de 3,99%.

O valor de mercado atualmente é na casa dos R$ 3,3 bilhões, abaixo R$ 7,3 bilhões que valia após seu primeiro pregão. Desde que estreou na B3, em outubro, as units acumulam queda de 60%. O valor proposto pelas units representa uma perda de 48% ante a cotação em que os ativos fecharam na estreia. 

A GetNet, que é a terceira maior empresa de adquirência do País, atrás de Cielo e Rede, não informou os motivos que levaram a esta decisão, mas tanto ela quanto outros nomes do setor estão enfrentando uma intensa concorrência no mercado de adquirência, além dos efeitos da pandemia, que reduziu significativamente as compras no varejo.

O mais recente player no setor é o Nubank, que anunciou uma solução de pagamentos por aproximação, via celular e aplicativo, batizada de NuTap, para esquentar a disputa com Cielo, Rede, GetNet, PagSeguro e Stone.

“Feliz de anunciar hoje o NuTap, um presente para nossos mais de 1,6 milhão de microempreendedores, que já podem esquecer essas maquininhas caras e desnecessárias”, escreveu David Vélez, cofundador e CEO do Nubank, em postagem no LinkedIn, sem deixar de “alfinetar” o modelo tradicional do setor.

A GetNet surgiu em 2003 e o Santander fechou um acordo para comprá-la em 2014 numa operação que ao final totalizou R$ 2,5 bilhões. Ela foi uma das empresas que ajudou a quebrar o duopólio exercido por Cielo e Rede, na época. 

Em fevereiro do ano passado, o conselho de administração do Santander aprovou uma proposta cisão parcial da GetNet, com os acionistas do banco recebendo 0,25 papel da companhia de adquirência para cada ação do banco. 

Em entrevista ao NeoFeed em março do ano passado, quando a cisão da GetNet estava sendo preparada, o então CEO da companhia, Pedro Coutinho, disse que a ideia era destravar valor para os acionistas do banco e dar mais independência para a empresa, de olho numa expansão internacional. 

No primeiro trimestre, a GetNet registrou um lucro líquido de R$ 103 milhões, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2021, com um crescimento de 22% da receita líquida, para R$ 616 milhões. O Ebitda subiu 25%, a R$ 287 milhões. 

No período, o Volume de Pagamentos (TPV) apresentou um crescimento de 26%, a R$ 109,6 bilhões, com o aumento do volume processado no varejo e no e-commerce, além de um crescimento no volume de recursos antecipados e avanço das vendas de serviços de valor agregado. 

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