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Riverwood investe R$ 120 milhões em empresa que faz “cola digital” de softwares

A Sensedia desenvolveu uma plataforma que acelera o desenvolvimento de APIs por grandes empresas. Com o dinheiro, pretende acelerar sua expansão na Europa e chegar aos Estados Unidos ainda neste ano

 

Os fundadores da Sensedia: Kleber Bacili (à esq.) e Marcilio Oliveira

Em 2007, quando a Sensedia nasceu de um spin-off da empresa de tecnologia CI&T, Kleber Bacili e Marcilio Oliveira, que iriam comandar o negócio, colocaram tudo o que tinham dentro de uma Kombi para mudar para o novo escritório.

Catorze anos depois, há uma mini-Kombi no escritório da Sensedia para lembrar esse passado romântico. Mas seria impossível colocar todo mundo dentro do veículo da Volkswagen se uma nova mudança tivesse que acontecer.

Atualmente, a Sensedia conta com 480 funcionários que atuam no Brasil, Argentina, Peru, Colômbia, Reino Unido, Alemanha Lituânia e Suíça. E esse número vai crescer ainda mais a partir de agora – pelo menos mais 100 pessoas vão ser contratadas até o fim deste ano.

E o motivo é simples. A Sensedia, dona de uma plataforma para que grandes empresas possam desenvolver de forma rápida e segura APIs (application program interface), está recebendo um aporte de R$ 120 milhões da Riverwood Capital, o primeiro cheque institucional da história da companhia fundada em Campinas.

Com o investimento, a Riverwood passa a ser sócia minoritária da Sensedia – a CI&T, de onde a empresa surgiu, chegou a ter uma participação, mas já a vendeu faz tempo. O dinheiro vai ser usado para bancar sua expansão global, bem como acelerar o desenvolvimento de sua plataforma tecnológica. O objetivo é focar no open banking, que estabelece a abertura dos dados de clientes a outras empresas.

“Os nossos competidores são globais, solucionamos um problema global e o Brasil representa apenas 3% do mercado global”, diz Bacili, que é o CEO da Sensedia, ao NeoFeed. “Resolvemos quebrar essas três etapas e pensamos em um crescimento grande no mercado com o aporte.”

Nos dias de hoje, as APIs são quase onipresentes no mundo digital. Do serviço de computação em nuvem da AWS, da Amazon, ao botão de curtir do Facebook ou os recursos de publicidade do Google, todos eles usam esta tecnologia, que atua nos bastidores interligando dois softwares diferentes.

“As APIs são uma cola digital que une dois pedaços de software”, afirma Bacili. “A maior parte das empresas tem usado esse tipo de tecnologia para acelerar sua transformação digital.”

Por esse motivo, essa é uma área já que crescia rapidamente antes da pandemia. Depois, isso se acelerou ainda mais. O mercado global de APIs é estimado em US$ 10 bilhões, de acordo com dados do Gartner.

Na América Latina, onde a tecnologia movimenta US$ 1 bilhão, deve crescer a uma taxa média de 40% ao ano nos próximos cinco anos, segundo estimativas da consultoria IDC. “É uma mercado que está ganhando robustez”, diz Pietro Delai, gerente de software e cloud para a América Latida da IDC.

A Sensedia espera ir além. No ano passado, faturou R$ 84 milhões. A meta, em 2021, é chegar a R$ 130 milhões, alta de quase 55%. Atualmente, a empresa conta com 140 clientes de grande porte. São nomes como Natura, Via (ex-Via Varejo), SulAmérica, Cielo, PagSeguro, Banco Original, Neon, entre outras empresas.

Esse grupo paga para ter acesso à plataforma no modelo de software as a service (SaaS). Mas o valor é variável e corresponde ao volume de transações da aplicação. “Alguns clientes têm milhões de transações por mês”, diz Bacili. “Outros tem milhões de transações por hora.” Outra forma de ganhar dinheiro é prestando consultoria para as empresas no processo de desenvolvimento das APIs.

O plano da Sensedia, a partir de agora, é reforçar sua internacionalização.  Ela já tem operações na Colômbia e no Peru desde 2018. Um ano depois, chegou à Argentina e foi para o Reino Unido. E, a partir dali, passou a atender outros países da Europa, como Alemanha, Lituânia e Suíça.

“Queremos reforçar a nossa presença na Europa e no segundo semestre vamos para os Estados Unidos”, afirma o fundador Marcilio Oliveira, que é responsável pela área de crescimento da Sensedia. “Esses dois mercados são grandes demais para ignorar.” Hoje, 10% da receita da Sensedia vem das operações internacionais. O objetivo é que, até 2024, represente metade do faturamento.

Nessa expansão global, o novo sócio será fundamental. Bacili diz que conversou com mais de 30 fundos interessados em investir na Sensedia. A escolha da Riverwood se deu justamente pela experiência em escalar negócios fora do Brasil.

No portfólio da Riverwood estava a Globant, empresa de tecnologia argentina que abriu o capital nos Estados Unidos, e hoje vale US$ 8,5 bilhões. O fundo americano tem ainda participação da VTEX, plataforma de e-commerce que está expandindo sua atuação nos Estados Unidos, e na Technesys, empresa de tecnologia para bancos digitais com presença em 16 países.

“A Sensedia já tinha uma plataforma reconhecida globalmente e estava sendo puxada por grandes clientes e se expandindo internacionalmente”, diz Gustavo Pinheiro, vice-presidente da Riverwood Capital, que passará a fazer parte do conselho da Sensedia.

De acordo com Pinheiro, o mercado em que a Sensedia atuava vinha sendo acompanhado pela Riverwood há bastante tempo. “Ele cresce no contexto do e-commerce e da digitalização da economia”, diz.

O mercado de APIs não está só crescendo. Ele está também gerando negócios bilionários. Em 2019, a Salesforce pagou US$ 6,5 bilhões pela MuleSoft, um sistema de gerenciamento de APIs.

A Visa, em janeiro do ano passado, tentou comprar, por US$ 5,3 bilhões, a Plaid, uma fintech que desenvolve soluções que permitem que os consumidores compartilhem informações financeiras com milhares de aplicativos e serviços via APIs. O negócio, no entanto, foi barrado pelas autoridades antitruste dos EUA.

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