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Negócios

Todo mundo quer ser fintech. Até as empresas de software

Primeiro foi a Linx. Na sequência, a Totvs. Agora, a Omie, uma startup que já captou mais de R$ 100 milhões, aposta em serviços financeiros para conquistar clientes

 

As fintechs estão na crista da onda. Não são apenas as startups financeiras puro-sangue, como Nubank e Creditas, para citar apenas dois exemplos, que estão se sobressaindo no mercado brasileiro.

Os bancos tradicionais estão também reagindo e se adaptando aos novos tempos com serviços cada vez mais tecnológicos. Bradesco e Itaú, por exemplo, estão se aproximando das fintechs com estratégias como o Inovabra Habitat e o Cubo. Nos EUA, os bancões estão engolindo essas empresas.

Mas a concorrência não se limita a esse universo. Ela está chegando de onde nem se imaginava: as empresas de software. “Tudo que começa com ‘fin’ e termina com ‘tech’ vira dinheiro hoje em dia”, diz Daniel Domeneghetti, presidente da consultoria E-Consulting.

No mercado brasileiro, duas das principais empresas dessa área, Totvs e Linx, estão apostando em meios de pagamentos. Agora, chegou a vez da Omie, uma startup que desenvolve um software de gestão para pequenas e médias empresas, e que recebeu mais de R$ 100 milhões em investimento de fundos como o americano Riverwood Capital e o brasileiro Astella Investimentos.

A startup lançou uma conta digital, batizada de Omie.Cash, que permite TED, DOC, pagamentos de contas e cartões de débito e crédito. Tudo isso integrado ao sistema de gestão da companhia e sem custo de tarifas.

“É uma forma de proteger meus clientes e dá um ganho de agilidade muito grande ao estar integrado com a plataforma de gestão”, afirma Marcelo Lombardo, CEO da Omie, fundada por ele e por Rafael Olmos, que atua como CTO.

A Omie conta com 25 mil clientes que movimentam, mensalmente, R$ 5,3 bilhões na plataforma de gestão. É de olho nessa cifra, que tende a crescer, que Lombardo está de olho.

Ele também confirmou, com exclusividade ao NeoFeed, que seu próximo passo é oferecer uma maquininha aos seus clientes. “Já fizemos todos os testes e o serviço estará pronto neste ano”, diz Lombardo.

Neste caso, a Omie negocia um acordo com uma empresa do mercado, devendo se transformar em uma subadquirente. Para criar a conta digital, a startup fez parceria com a SmartBank, que tem uma plataforma white label para criar um banco online.

Os fundadores da Omie (da esq. a dir.): Rafael Olmos e Marcelo Lombardo

“O lançamento do Omie.Cash é outra evidência de que o mercado de banco digital será disputado por players de diversos segmentos, incluindo as companhias de ERP”, disse o Credit Suisse, em um relatório sobre as fintechs brasileiras.

No mesmo relatório, o Credit Suisse considerou a entrada da Omie nesse segmento como negativo para as companhias com ações em bolsa, ressaltando que o perfil de clientes da startup é próximo do da Stone, empresa de meio de pagamentos que abriu o capital na Nasdaq.

Concorrência

A Omie passa a disputar um lugar ao sol em um mercado que já conta com dois rivais peso pesados. A Linx e a Totvs não só saíram na frente, como são muito maiores. Outra companhia da área que tem plano de atuar neste setor é a Senior, de Blumenau (SC).

Desde que anunciou o Linx Pay, em outubro do ano passado, as ações da empresa subiram quase 100%. Um relatório do BTG Pactual, do ano passado, dizia que as ações da companhia tinham potencial de chegar a R$ 36. Hoje, ela está cotada abaixo de R$ 30.

A Totvs, que também entrou no mercado de serviços financeiros este ano, está observando uma valorização de seus papéis em 98% em 2019. Seu valor de mercado já ultrapassou os R$ 10 bilhões.

Mas a empresa não gosta de ser comparada a uma fintech. “Somos uma techfin”, gosta de dizer Dennis Herszkowicz, que assumiu o cargo de CEO da Totvs, em novembro do ano passado.

“Não vou ser o responsável por dar o crédito. Não vamos virar bancos. Teremos parceria com bancos grandes e médios e até mesmo startups que estejam provendo o crédito”, disse o executivo, em entrevista exclusiva ao NeoFeed, justificando o uso da palavra “techfin”.

Um relatório do BTG Pactual, no começo de junho, recomendou a compra dos papéis da Totvs, com preço-alvo de R$ 60 a ação. E justificou. “De acordo com nossas previsões, o negócio principal vale R$ 45 a ação, enquanto as novas iniciativas têm potencial de acrescentar um extra de R$ 15 a ação.” Nesta segunda-feira, 9 de setembro, elas estavam cotadas na faixa de R$ 50.

A Senior, que deve faturar R$ 500 milhões neste ano, também se prepara para ser uma fintech. Assim como as demais empresas, ela quer aproveitar a extensa base que passa pelo seu software.

“Seis milhões de colaboradores, cerca de 20% das folhas de pagamento do Brasil, passam pelo nosso sistema”, diz Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior, em entrevista ao NeoFeed.  A ideia é criar uma empresa que possa trabalhar na área de antecipação de recebíveis, crédito consignado, entre outros produtos.

Para Domeneghetti, da E-Consulting, o mercado passa por um momento confuso. “Não adianta oferecer uma carteira e um produto se não se tem suporte técnico consultivo”, diz ele. “Não se sai do setor de tecnologia e vira banco sem nada disso. O menos relevante é a tecnologia.”

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