Com fundo de R$ 100 milhões, Duratex faz uma “reforma” na sua relação com startups

Empresa de material de construção do grupo Itaúsa anunciou a criação de um corporate venture capital para investir em startups e scale ups, em uma estratégia para acelerar sua transformação digital

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A Duratex vale R$ 15,6 bilhões na B3

Na corrida da transformação digital, a Duratex, avaliada em R$ 15,6 bilhões, acaba de anunciar a criação de um fundo de corporate venture capital com R$ 100 milhões para investir em startups e scale ups.

De acordo com fato relevante, divulgado há pouco, a Duratex “poderá acompanhar as macro tendências de transformação e inovação do setor de construção, reforma e decoração, através do desenvolvimento de negócios relevantes no longo prazo.”

O comunicado informa também que “esta nova frente tem como objetivo mapear potenciais disrupções dos negócios e produtos da companhia, além de ser o veículo adequado para abordar oportunidades identificadas em seu core business”.

A Duratex, empresa de material de construção controlada pela Itaúsa e dona da marca Deca e Hydra, será a cotista única do fundo, que vai ser gerido pela Valetec, uma gestora de venture capital especializada, em uma tendência cada vez mais forte no mundo empresarial.

Pressionados pela aceleração de tendências digitais – e vendo startups avançarem de forma acelerada e lhe roubarem mercados – as empresas de todos os setores estão buscando se aproximar de pequenas companhias inovadoras.

Uma das estratégias é através de fundos de corporate venture capital. O grupo Fleury e o laboratório Sabin, por exemplo, criaram o Kortex Ventures, que tem R$ 200 milhões para investir em startups. O primeiro aporte foi feito na startup israelense Sweetch, que desenvolveu um aplicativo que usa inteligência artificial para ajudar pacientes crônicos.

A EDP também tem seu braço de venture capital, a EDP Ventures, que conecta a companhia de energia portuguesa com o ecossistema de startups brasileiro.

Assim com a Telefônica Vivo conta com a Wayra, gestora que investe em negócios que tenham afinidade com o grupo de telefonia espanhol. Um exemplo de investimento da Wayra é a Trocafone, um e-commerce de celulares usados que protocolou pedido para abertura de capital na B3.

Gigantes do setor financeiro, como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e XP, estão também entre os negócios que apostam em corporate venture capital no Brasil.

Não há dados sobre o volume de investimentos de corporate venture capital no Brasil, mas uma pesquisa realizada pela Ace descobriu que 62% das iniciativas desse gênero no País existem há menos de dois anos.

Mais: apesar de haver uma quantidade de mais de mais de 138 programas de conexão entre startups e empresas, 60% destes não alcançam seus objetivos iniciais na primeira onda, segundo mapeamento realizado pela Ace em 2020.

No mundo, os fundos de corporate venture capital movimentaram US$ 57 bilhões em 2019 (dado mais recente), segundo a consultoria CB Insights. Esse volume corresponde a aproximadamente 25% de todos os recursos globais destinados a startups.

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